FLOR DE LÓTUS: O TECIDO MAIS SUSTENTÁVEL DO MUNDO

Flor de lótus

Inspiração para o luxo brasileiro, o material une sustentabilidade e inovação, apontando caminhos para valorizar cultura e recursos naturais no setor de alto padrão

Pensar sobre o luxo, muitas vezes pode nos colocar de frente com o tema da sustentabilidade e o seu papel na construção de um futuro ético e responsável. Para François Henri Pinault, CEO da Kering, “o Luxo e a Sustentabilidade são a mesma coisa”. O que nos convida a refletir sobre a importância de repensarmos nossa cadeia de valor a partir da inovação e sustentabilidade, assim, pode ser inspirador repensarmos o luxo brasileiro a partir da valorização de nossa cultura e recursos naturais. É a partir desse lugar que a fibra da Flor de Lótus vêm transformando a indústria do luxo na Europa, como os tecidos da Loro Piana.

A empresa responsável pela fabricação do tecido feito da fibra da flor de lótus é a Samatoa, fundada em 2003 e localizada no Camboja. Tem sobretudo nos seus pilares de negócio, a valorização do trabalho de artesãos com suas técnicas ancestrais de produção, além do objetivo de apoiar e empoderar mulheres na região. A fabricação do tecido é toda integrada, desde a extração das fibras até a tecelagem com um manuseio cuidadoso feito à mão. É um processo onde não se utiliza água, produtos químicos ou tóxicos, além de energia, por isso, para alguns é a fibra mais sustentável do mundo.

As características do tecido e qualidade são comprovadas pela maciez e leveza, sendo comparada à uma seda. O brilho, a respirabilidade, resistência ao rasgo, à tração, rugas ou vincos também são propriedades do tecido de Lótus.

De acordo com a Samatoa, ganharam alguns prêmios de extrema importância no tema do meio ambiente, social e de inovação, destacando em 2015 o prêmio A França compromete-se com o Sul e o selo de excelência UNESCO em 2012.

Pensando na viabilidade da fibra no Brasil, é muito pequena, uma vez que a flor de lótus é uma planta aquática encontrada em países de climas predominantemente subtropicais e temperados, além das implicações climáticas, a própria logística e os custos comprometem essa realidade. No entanto, pode ser inspirador para o Brasil na medida em que é um país tão rico em matérias-primas, culturas locais e saberes manuais.

Na medida em que as marcas começarem a valorizar e preservar nossos recursos naturais, tendo cadeias de ciclo de vida de produtos mais integrados, pensando na durabilidade do produto, envolvidas em projetos sociais de cultura locais, podemos estar construindo um novo luxo brasileiro.

Por Gabriela Mallet

Rari.t Luxury