Especialista fala sobre como a sustentabilidade tem influenciado comportamentos e consumos
Um novo padrão comportamental surge em função da preocupação ecológica. Assim, esta nova forma de pensamento transforma-se em atitudes “ecologicamente corretas”, promovendo um desejo por um consumo mais sustentável. Nesse novo cenário, o mercado precisa refletir sobre os desejos desse consumidor que busca produtos e atividades voltadas para a conscientização, conservação e preservação da natureza em relação a um novo paradigma comportamental por meio da etiqueta ambiental e ecologicamente “correta”.
Com essa problemática, surgiram normas e leis que disciplinam o comportamento de todos os envolvidos nessa dinâmica, com o intuito de amenizar e disciplinar o impacto ambiental causado pela intervenção humana.
A MOBILIZAÇÃO DA SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA EXIGE SOLUÇÕES AO MEIO AMBIENTE
A consciência ecológica pode ser despertada por meio da educação ambiental e por normas de etiqueta. Essas normas são estabelecidas e, uma vez não respeitadas na prática, subtraem a dimensão sustentável. A mobilização da sociedade contemporânea exige soluções em relação ao meio ambiente e, assim, surgem os movimentos ecológicos, que difundem a educação ambiental como instrumento de mudanças na relação entre o indivíduo e o meio ambiente, impactando seu consumo.
Pode-se constatar que as preocupações com a maneira correta de se comportar com foco no coletivo por meio de regras já eram difundidas no início do século XVII no processo de transformação histórica. Assim, para entender a aplicação da etiqueta ambiental contemporânea, é necessário realizar uma análise histórica do processo de transformação de conceitos da etiqueta. Desta forma, percebe-se o surgimento e a consolidação de uma nova mentalidade, presente na preocupação com a vida no planeta, a manutenção dos seus ecossistemas e a prática de novas atitudes sustentáveis, nos âmbitos econômicos, ambientais e sociais, ou seja, a sustentabilidade.
Minhas pesquisas proporcionaram a constatação de que a ecologia e a preocupação ambiental, que antes eram temas restritos a cientistas ou entusiastas, hoje representam um modelo de comportamento a ser seguido e passaram a ser um assunto rotineiro que ocupa diariamente todas as formas de mídia. Além da mídia, para se obter status e visibilidade, o tema passou a ser utilizado e colocado em prática em todas as esferas, nos domínios públicos, privados e também em todas as atividades humanas, inclusive na moda. Enfim, todos passaram a discutir e procurar soluções para amenizar o impacto ambiental da atividade humana.
As conclusões preliminares levam à reflexão de que a sociedade atual exige ou espera uma mudança de atitude em relação à questão ambiental, fica evidente a necessidade de se estabelecer normas de etiqueta e de programas de educação ambiental para que, por meio da pressão e controle social, essas mudanças comportamentais realmente ocorram, e na perspectiva da moda para o bem da natureza e da comunidade, resultando em um desenvolvimento sustentável. Nunca se falou tanto em consumo consciente e sustentabilidade quanto nos tempos atuais. Mas você sabe o que isso significa?
Quando se fala em consumir “moda consciente”, por exemplo, isso não quer dizer apenas comprar produtos taxados como sustentáveis ou eco-friendly. A questão vai muito além. As pessoas entenderam que tem uma responsabilidade não só como consumidores, mas também como protagonistas sociais. Por exemplo, na prática , quando se paga um valor muito baixo por uma roupa, temos a consciência de que esta provavelmente não é o valor justo a se pagar por um item de moda, o mesmo acontece quando se compra um calçado sabendo das questões socioambientais envolvidas no processo de produção.
Cada vez mais os consumidores querem saber o que estão comprando, não só a origem da matéria-prima, mas também quem as fabricou, sob quais condições e como aquele produto chegou até a loja. No mundo todo, existem empresas que levam em conta estes critérios, são empresas sérias e comprometidas com a causa sustentável e humana, que optam por usar matéria-prima que não causa impacto ambiental, que reciclam o seu lixo e que não poluem o meio ambiente, além disso, pagam um preço justo pela produção dos seus produtos. Não são só uma questão de consumo, mas também de atitude, de um novo comportamento real. Prova disso é o movimento Slow Fashion, que surgiu como uma alternativa socioambiental mais sustentável no mundo da moda.
Algumas das características principais do movimento Slow Fashion são: a prática de preços reais, a valorização de recursos locais, a transparência sobre a origem dos produtos, a redefinição da moda como uma escolha pessoal e a opção por itens de moda com design clássico. Além disso, incentiva-se a prática de remendo, locação, troca e customização de roupas, prolongando a sua vida útil. Algumas marcas podem ter um valor um pouco mais elevado, mas é preciso levar em conta que, além de ter uma maior qualidade e durabilidade, estes são produtos de valor, pois houve um cuidado ambiental e social, desde a sua criação até que o produto chegue ao consumidor. Tanto na moda quanto nos itens de consumo em geral, percebe-se que este movimento de consciência e sustentabilidade é um caminho sem volta, o que é ótimo, pois fazendo escolhas mais conscientes no nosso dia a dia, temos a chance de tornar o mundo um lugar mais civilizado e justo para todos.
Por Andréia Dias
@andreiadias_ikigai