OLHAR PRA SI É O NOVO LUXO

olhar para si é novo luxo

O verdadeiro luxo está na simplicidade autêntica: como o Quiet Luxury redefine o conceito de sofisticação na era dos exageros

Entrei numa loja “cara” do meu bairro outro dia e fiquei observando. Tudo muito branco. Quantidades insanas de mármore (falso) brilhante que contrastavam com os filetes dourados. O balcão todo iluminado por um led “pôr do sol” e tapetes fofinhos. As cadeiras tinham muito metal dourado e assentos desconfortáveis, mas “luxuosos”. Minha amiga que estava comigo falou “que loja chique”. E eu pensando…. sinceramente? Não acho.

“A simplicidade é o mais alto grau de sofisticação”

A frase acima, de Leonardo da Vinci, representa o que, de fato, é o verdadeiro luxo. Uma simplicidade que passou por vários, vários graus de lapidação. Que foi esquentada, esfriada, ressignificada uma quantidade enorme de vezes como uma estátua que surge gloriosa de dentro de uma pedra bruta.

Na era dos exageros vazios, ter a clara noção do que e de quem você é representa o maior dos luxos. O quanto você conseguiu olhar dentro de si mesmo e refinar todas as suas camadas. Entender cada peculiaridade sua, suas manias, seus traumas, suas crenças boas e ruins. O auge do autoconhecimento é, necessariamente, o mais alto grau de sofisticação, justamente quando se chega a um self verdadeiro, como diria Jung.

É um eterno trabalho dentro de si que parece não ter fim. Um dia, numa terça-feira as quatro da tarde, olhamos em volta e pensamos: caramba, eu sou isso. Isso aqui é a minha cara. Isso aqui me representa demais. O que realmente é você tem uma força incrível. É fácil, como encaixar uma pequena peça de um enorme quebra cabeças. Sua essência é o seu brilho, sua luz, seu luxo. E aí não precisa de mármore e nem filetes de led ou dourado. Ali, no mais sofisticado em si você é natureza, simplicidade.

Por isso que Quiet Luxury veio para ficar. Há quem diga que é uma estação, mas o que acontece é que poucas pessoas conseguem, ainda, realmente entender e praticar esse minimalismo. Não é sobre ser rico ou pobre, brega ou chique. É sobre ser tão você que é necessário apenas mostrar o básico, a essência. E isso é, como nos disse Da Vinci, de uma sofisticação absurda. Coco Chanel já defendia isso com o seu “olhe-se no espelho depois de pronta e tire alguma coisa” e eu digo “olhe para dentro e tire de lá o que é só perfumaria”.

Olhar para si e para a sua essência é, definitivamente, o novo luxo.

Por Andrea Pavlo
Mentora de bem-estar e espiritualidade
@andreapavlo

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